O solar apresenta fachadas inteiramente revestidas de azulejos
portugueses e beirais constituídos por telhões
de louça, pintados à mão, provenientes
da cidade do Porto, em Portugal. Um padrão específico
da azulejaria repete-se em todas as superfícies, salvo
na fachada posterior, com padrão diverso; outros, com
formatos e cromatismos distintos, formam barras, guarnições,
frisos e pilastras dos cunhais.
Implantada em uma chácara no bairro do Ingá,
murada com gradis de ferro fundido apoiados em pedra de
cantaria, a casa assobradada, edificada originalmente em
pedra e cal, foi internamente dividida em inúmeros
cômodos para abrigar numerosa família. Os guarda-corpos
da sacada e os lambrequins que circundam as varandas refletem
a influência da utilização do ferro
na construção civil, característica
do período da Revolução Industrial
Inglesa. As guarnições dos vãos de
portas e janelas são de cantaria, que se repete nas
sacadas do sobrado, ao longo das fachadas principais, contornando
os cunhais. Sobre o vão central do prédio,
pode-se ler a data 1872, em cartela desenhada em azulejaria.
As janelas, em sistema de guilhotina e almofadas internas,
apresentam bandeiras com desenhos de curvas caprichosas
e vidros nas cores verde e vermelho (cores nacionais portuguesas).
Os azulejos utilizados neste prédio constituem um
dos mais importantes conjuntos de azulejaria do século
XIX existentes no Brasil, em exemplares de arquitetura residencial
urbana.
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