Os trabalhos de restauração
foram realizados por uma equipe multidisciplinar, formada
por técnicos especializados nas diferentes áreas,
e teve o acompanhamento do Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional — IPHAN.
A metodologia adotada baseou-se na preservação
de remanescentes estéticos e históricos originais
do prédio, bem como na conservação
de algumas alterações posteriores, consideradas
harmoniosas no conjunto. Detalhada prospecção
do prédio associada a minucioso levantamento documental
e iconográfico estabeleceram as referências
históricas para o partido adotado na concepção
do projeto. As intervenções contemporâneas,
fundamentadas em critérios científicos, tecnológicos
e de funcionalidade, possuem linguagem própria e
distinta dos padrões originais. Além do prédio
principal, houve a preocupação com a revitalização
do parque que circunda o solar, incluindo implantação
de estrutura de apoio para visitantes.
O prédio principal tem seus espaços originais
amplos e bem definidos: no pavimento térreo, grande
sala de estar, sala de jantar, sala de almoço, sala
para louçaria, sanitário, vestíbulos
de acesso - um social e outro de serviço - com respectivas
escadas; no pavimento superior, distribuem-se os quartos
e um sanitário. O propósito de manter a arquitetura
original com o mínimo de intervenção
projetual determinou uma única alteração
de espaços: a substituição da escada
de serviço por um elevador, a fim de permitir o acesso
de idosos e deficientes físicos. Esta modificação
favoreceu o remanejamento do banheiro do pavimento superior,
que pôde então receber iluminação
e ventilação naturais.
Anexa ao prédio principal, havia uma edificação
claramente alterada, que servia de apoio ao solar. Possuía
uma grande cozinha, área de serviço e um belo
tanque em cantaria. Esse espaço foi acrescido de
um segundo pavimento, para aposentos do zelador, em época
não identificada. A nova distribuição
do anexo de serviço manteve a cozinha, com dimensões
reduzidas, e criou sanitários públicos e vestiários
de funcionários no espaço remanescente, preservando-se
a fachada inteiramente inalterada. Contígua a este
prédio havia uma construção que abrigava
a moradia do caseiro, intervenção sem qualidade,
demolida com o propósito de permitir melhor visibilidade
à arquitetura do solar.