Azulejaria
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 História
 Créditos
 Design: Linetron  Programação: Kinetics
 Upload: 29/04/2003
 
Untitled As fachadas do solar são revestidas com azulejos portugueses, de características tipológicas bem definidas: os de fundo, com um mesmo motivo floral, compõem tapetes, contornados por outros lisos, nas cores amarelo e marrom; os cunhais formam colunas, cujas caneluras são identificadas pela alternância de azulejos azuis e amarelos; as pilastras e os arremates também possuem frisos lisos, nas mesmas cores. A azulejaria de padrão, que reveste todo o exterior da casa principal, é predominantemente de tonalidade verde nas fachadas principal e laterais, prevalecendo as tonalidades azul e branca na parte posterior.

As fachadas encontravam-se fortemente deterioradas, em decorrência da ação da umidade, causada por chuvas e infiltrações, e agravada pelas perfurações encontradas nos condutores de águas pluviais embutidos na alvenaria. A fragilização das argamassas de assentamento provocou o estufamento dos azulejos de suas paredes de suporte, assim como foi observado o descolamento da camada vítrea do tardoz, em grande parte dos painéis de azulejaria. A presença de vegetação nas frinchas de rejuntamento dos elementos cerâmicos também contribuiu para o estado de desagregação da azulejaria, e os cunhais foram as áreas mais prejudicadas, por abrigarem os condutores pluviais embutidos.

Para a restauração da azulejaria, foi firmado um convênio com a Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, em Lisboa, Portugal, através do qual a engenheira química Maria Manuela Malhoa determinou as medidas emergenciais a serem adotadas e a posterior restauração dos panos azulejados que revestem todas as fachadas do solar.

Intervenção

Para a restauração dos tapetes de azulejaria do Solar do Jambeiro, foi criada uma equipe, composta por uma média de oito profissionais especializados. A intervenção emergencial teve por objetivo a consolidação das áreas críticas e o faceamento realizado com a utilização de fitas adesivas nos trechos em que foram verificados grandes estufamentos. Os azulejos com grave descolamento da argamassa foram removidos e, nas demais áreas, o tratamento foi efetuado localmente.

A camada vítrea dos azulejos com descolamento do tardoz foi consolidada com o uso de paraloid por impregnação. Uma vez higienizados, os que apresentavam perda de vidrado foram reintegrados com composto de cal e sílica, construindo-se, com a técnica de afresco, uma camada de intonaco, através da qual realizou-se a recomposição cromática. A escolha dessa técnica foi determinada por sua propriedade de significativa estabilidade diante da exposição à luz e às intempéries. É importante destacar que, no escopo desta intervenção restaurativa, paralelamente ao aspecto estético, a finalidade principal consistia no processo de obturação do vidrado faltante, de modo a assegurar a interrupção de contínuas infiltrações de águas pluviais, razão do descolamento do vidrado do tardoz. Os azulejos que se encontravam partidos foram colados com resina epóxi, e os que foram tratados com a técnica de afresco receberam acabamento com base em silicone. Realizado pela primeira vez no Brasil, o método que utiliza o afresco nesse tipo de intervenção restaurativa vem demonstrando bom nível de estabilidade, assim como resultado estético bastante satisfatório.

Peças pontualmente faltantes somavam um número expressivo, sendo repostas por novas, confeccionadas a partir dos desenhos originais daquelas existentes, considerando-se que os panos de azulejos não devem ter sua continuidade visual interrompida.

O importante conjunto de azulejos e telhões de louça do Solar do Jambeiro exige permanente trabalho de conservação e constitui exemplar campo de experimentação de intervenção restaurativa em azulejaria no Brasil.