Telhas de Beiral
 O Solar
Identificação e Descrição Arquitetônica
Ocupação
Planta Baixa do Solar
Planta Baixa do Solar
Planta de Situação
Fale Conosco
 Restauro
Azulejaria
Telhas de Beiral
Forros de Estuque
Esquadrias
Pisos
Serralheria Artística
Coberturas
Cantarias
Alvenaria
Jardins
Estufa
Interiores
 Instalações
 Novas Edificações
Cafeteria
Anexo Administrativo
Anexo Técnico e Central de Água Gelada
 História
 Créditos
 Design: Linetron  Programação: Kinetics
 Upload: 29/04/2003
 
Untitled O beiral do telhado do prédio principal é formado por telhões de louça portuguesa. As telhas canais apresentam decoração com relevo e pintura nas cores azul cobalto e branco. Algumas peças são originárias da fábrica de Santo Antônio, no Porto, Portugal, conforme inscrição encontrada. As telhas decoradas somavam um total de 420 unidades, com dimensões médias de 92cm de comprimento por 17cm de largura. Possuem basicamente três padrões decorativos: pássaro, em maioria; folhagem; floral, em fundo azul e fundo branco. As que constituem as quinas do telhado distinguem-se pelos formatos em ângulo reto e semicircular.

Os principais problemas observados no beiral foram peças faltantes ou quebradas e o descolamento pontual da camada vítrea de algumas telhas, causados, provavelmente, pela exposição ao tempo e a chuvas ácidas. O desnivelamento verificado favorecia o retorno das águas pluviais para o interior do telhado, provocando a desagregação das cimalhas que lhes servem de apoio, bem como a deterioração das alvenarias superiores. As capas das telhas de beiral são em tipo único, de cor branca, vitrificadas, medindo cerca de 64cm de comprimento por 10cm de largura, e somavam um total aproximado de 406 unidades. Foram encontradas em estado de conservação regular, com presença de fungos e musgos sobre as camadas vítreas, além de afloramento de vegetação em alguns trechos.

Intervenção

Todas as telhas de beiral foram removidas, sob a supervisão da equipe de restauradores, e catalogadas de acordo com sua tipologia (forma e decoração) e estado de conservação. O processo de restauração propriamente dito teve início com a limpeza: as telhas foram lavadas com água deionizada, utilizando-se detergente neutro nas áreas com manchas ou sujidades mais impregnadas; o cimento agregado, proveniente do assentamento anterior, foi retirado através de ação mecânica, com o cuidado necessário para a preservação integral da camada vítrea. Em seguida, executou-se a colagem: as telhas que se apresentavam quebradas foram unidas com a utilização de resina epóxi para a obtenção de boa ancoragem e estabilidade. Na etapa de consolidação, a telhas que exibiam estufamento e descolamento da camada vítrea foram fixadas com paraloid. A compensação e a reintegração das partes faltantes do vidrado foram realizadas através da técnica de afresco. Esta técnica, quando utilizada na recomposição dos tapetes de azulejos da fachada do solar, logrou completo êxito, demonstrando, até a atualidade, boa resistência à luz, excelente estabilidade e ótimo resultado estético. Contudo, o mesmo método, aplicado inicialmente às intervenções nas telhas de beiral, não apresentou a mesma eficiência observada nos azulejos: verificou-se que a camada de afresco descolava do tardoz, revelando ataque de umidade e de eflorescência salina. Diante desse resultado insatisfatório, outro tipo de intervenção foi realizado nas telhas de beiral, com base em materiais sintéticos, empregando-se verniz epóxi aplicado sobre o tardoz aparente; a compensação do vidrado faltante foi efetuada também com verniz epóxi cerâmico e, na reintegração cromática, foram utilizados poliuretano e pigmento. As telhas canais receberam, em seu verso, tratamento de impregnação com base em um composto de cera e silicone, melhorando significativamente sua impermeabilização. Após a remontagem do telhado, as telhas de beiral foram criteriosamente repostas em seus locais de origem, assentadas com argamassa com base em cal e areia, e as peças faltantes foram substituídas por novas de mesma tipologia, confeccionadas pela Cerâmica Luís Salvador, em Itaipava (RJ), marcadas e datadas para identificação de época e autoria de fabricação.